quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A mídia e a influência dos debates na escolha dos candidatos

Hoje às 22:00 horas, vai ao ar, pela rede Bandeirantes, o primeiro debate entre presidenciáveis na TV aberta das eleições de 2010. É o momento em que Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) ficam diante de milhares de telespectadores com um olho na própria postura e outro no erro do adversário.
Desde a redemocratização, os debates se tornaram momentos marcantes da história do voto no Brasil. Prova disso é o acervo hoje disponível na internet com vídeos de eleições passadas. A mais conhecida e citada na rede é o debate de dezembro de 1989, às vésperas da votação, entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.
Outro momento emblemático do período, hoje disponível na rede de computadores, é o bate-boca entre Paulo Maluf e Leonel Brizola, em que o primeiro é chamado de “filhote da ditadura” e devolve, chamando o ex-governador gaúcho de “desequilibrado”. “Passou 15 anos no estrangeiro (no exílio) e não aprendeu nada”, disse Maluf, para risos da platéia.
Na última eleição, houve também momentos marcantes, e tensos, entre candidatos, como a cadeira vazia de Lula, que, favorito, se recusava a comparecer aos debates no primeiro turno, e os embates entre Geraldo Alckmin (PSDB) e o petista em torno de denúncias e escândalos políticos, no segundo turno da campanha.
Nesta noite, tem início um novo capítulo dessa história da política e da TV. Dos quatro candidatos que já confirmaram presença, três são novatos, entre eles a postulante à sucessão apoiada pelo atual presidente. Vai ser a chance de saber o quanto os candidatos aprenderam com os capítulos e vídeos antigos dos últimos embates eleitorais. que já confirmaram presença, três são novatos, entre eles a postulante à sucessão apoiada pelo atual presidente. Vai ser a chance de saber o quanto os candidatos aprenderam com os capítulos e vídeos antigos dos últimos embates eleitorais.
É sabido que os debates eleitorais atingem uma quantidade representativa de pessoas em todo o Brasil, por esse fator, que é considerado um veículo essencial para a difusão de idéias e construção de uma imagem pública sustentável de um ator político, bem como a sua gestão, quando eleito.
Neste contexto, a mídia, importante fonte de informação e conhecimento, também dita modas e costumes e está presente no cotidiano das pessoas. Diante disso, é evidente sua influência não somente no que se relaciona à informação, mas também no que se refere a beneficiar determinados candidatos, influenciando a população.
É antiga a manipulação dos fatos e omissão de informações no que se concerne não somente às eleições, mas como qualquer tipo de decisão que influirá diretamente no país e na economia, o que faz com que surja questionamentos por parte da população sobre o porquê de haver tal influência, podendo-se inclusive chegar à conclusão de que possivelmente isso ocorre devido a interesses políticos e econômicos da imprensa como um todo, ao eleger determinado candidato.
Temos um exemplo clássico ocorrido nas eleições de 1989, quando Fernando Collor de Melo disputava o cargo para presidência do Brasil contra Luis Inácio Lula da Silva. Fez-se clara a influência de uma das maiores redes de televisão brasileira, a Rede Globo, cortando cenas e falas de Lula num debate político e aumentando o tempo de fala a Collor. Os eleitores que tinham na época acesso somente à televisão, por exemplo, provavelmente se deixaram levar pela 'sugestão' de tal emissora de TV, já que não dispunham de outros meios para buscar informação e embasar sua escolha.
Essa gritante influência da mídia faz gerar um sentimento de dúvida quanto à credibilidade passada pelos veículos de comunicação ao público. “A imprensa é livre e tem que informar”. Não se pode omitir uma informação de um eleitor a despeito de que essa informação possa prejudicar a campanha de um candidato. Na verdade, e preciso ficar atento na forma com que a mídia influencia os eleitores. E que haja atenção quanto ao debate de como a mídia pode influenciar os eleitores é que este normalmente acontece às vésperas da eleição e durante o processo eleitoral. Mas devemos ter isso em mente durante os quatro anos em que essa pessoa exerce um cargo eletivo, seja no executivo ou no legislativo. Dessa forma, informar, mostrar as propostas dos candidatos, além de qualquer possível fato que esteja ocorrendo durante os períodos eleitorais não é considerado antiético. Entretanto, se houver indícios de qualquer interesse, seja econômico ou político, na informação passada por tal veículo de comunicação, fica clara a falta de ética, bem como de transparência.
Todavia, a única solução aparente para que se acabe com o mau uso da influência midiática é o engajamento por parte da sociedade, principalmente da grande massa composta por pessoas de baixa renda, para requerer seus direitos, participando ativamente das decisões públicas de qualquer setor, inclusive o político, além de possuir senso crítico para julgar os fatos diferentes da ótica proposta pela mídia. A partir do momento que isso acontecer, se terá uma sociedade diretamente ligada às decisões políticas, bem como públicas, e uma melhor democratização do país.


Confira no vídeo abaixo a manipulação do debate eleitoral de 1989.


JN Segundo Debate Collor X Lula
Enviado por congressoamce. - Mais videos universitários

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